domingo, 20 de maio de 2018

SCP e gestão de Bruno de Carvalho


Tenho 45 anos de idade…
Amo apaixonadamente o futebol.
Ainda hoje, “matei” algum tempo com o meu filhote jogando “futebol”.
Ele, com todo o seu entusiasmo, tentou inúmeras vezes passar-me a bola e fazer um “cabrito” …
Está a progredir muito bem e de mim terá todo o apoio…
Mas, independentemente de toda a minha vida familiar, hoje jogou-se mais uma final da taça de Portugal,
A FESTA do futebol!
Esta final foi disputada entre o Desportivo das Aves e o Sporting Clube de Portugal.
O SCP tem passado por momentos MUITO difíceis…
Eu tenho (tinha), muitos “amigos” sportinguistas. Falávamos muito sobre futebol. Benfica, Sporting e Porto.
Eu, fui “SEMPRE” benfiquista por amor e convicção.
Mas fui sportinguista na época de Rui Jordão e Manuel Fernandes…
Fui F.C. Porto com Paulo Futre, Jaime Magalhães, Jaime Pacheco, Juary, Frasco, Madjer, Vitor Baia…
Mais tarde, Deco, Paulo Ferreira, Derley, Costinha, entre muitos outros…
Isto para dizer:
GOSTO de futebol e, de uma forma ou outra, amo os três grandes clubes nacionais. De certa forma eu consigo estar sempre em festa…
Por isso, não fico indiferente ao que se está a passar com o grande rival da 2ª circular, o SCP.
Como afirmei de inicio, tenho grandes amigos do sporting, falávamos muito sobre futebol, mas o aparecimento do Facebook revelou o fanatismo na sua nudez…
Ralhei, discuti, gritei, chorei, magoe, perdi “amigos”, por causa do futebol.
E hoje, desejo que o SCP recupere o MAIS rápido possível de coração…

Parece irónico, mas o SLB nunca será grande sem o SCP.
O SCP nunca será grande sem o SLB.

No fundo, somos todos feitos da mesma massa, a massa do futebol,
A massa das emoções,
A massa dos adeptos,
A massa da diversão
A massa do clubismo…
A massa do RESPEITO
A massa do DESPORTO,
A massa do que faz sentido darmos à vida.
A massa do porquê me ter desentendido com amigos de longa data e de coração fanáticos e doentes.
Mas eu perdoo a todos, e viva o SCP, que recupere o mais rapidamente possível, para que o meu clube SLB possa vencê-los…

No fundo, viva o desporto,
Viva o futebol..



                                                                                     Lisboa, 20 de maio de 2018
                                                                                                   José M. T. Gomes

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Belmiro de Azevedo



A noticia do falecimento de Belmiro de Azevedo não sendo totalmente inesperada recebi-a com enorme tristeza.
Fui colaborador dele na Sonae durante onze anos seguidos e três como fornecedor de serviços. Como colaborador privei com Belmiro algumas vezes e a imagem que tenho dele é a de um extraordinário homem, uma inteligência e carisma desarmante, uma simplicidade sem limite, de enorme carácter e uma pessoa extremamente frugal.
Partilho um acontecimento ocorrido no verão de 2004. Belmiro de Azevedo costumava passar o mês de férias de agosto no Algarve, na cidade de Lagos onde tinha um belíssimo apartamento no último andar do Hotel Aqualuz. Nesse ano Belmiro teve necessidade de enviar alguns faxes para a sua secretária no Porto (tenho memória de se chamar Cristina).
Belmiro de Azevedo não era utilizador das novas tecnologias, era mais conservador, e era incómodo deslocar-se à receção do hotel para enviar faxes no âmbito da sua atividade profissional. A solução encontrada por um colaborador próximo foi adquirir na Worten de Portimão uma impressora multifunções com fax incorporada.
Na ausência de pessoal técnico da Sonae (Mainroad), a pedido da minha chefia direta desloquei-me a Lagos para resolver o problema de um dos homens mais poderosos de Portugal.
Apesar de não ser nenhum entendido em impressoras ou em telecomunicações desloquei-me a Lagos para resolver o problema. O apartamento do Belmiro não tinha linha telefónica analógica para que o fax pudesse funcionar. Ao fim de algum tempo informei-o que o fax não podia funcionar a menos que se instalasse uma linha analógica. A resposta de um homem tão rico e poderoso foi totalmente inesperada.
“Pagar uma linha analógica à PT durante um ano inteiro quando apenas necessito por um período de um mês? Nem pensar!”.
Inicialmente ficou entediado com colaborador que lhe “vendeu” a ideia, mas passados alguns minutos propus-lhe uma solução com aqueles equipamentos sem recorrer à instalação de uma linha analógica. Propus-lhe que digitalizasse os documentos para o computador e os enviasse por email à sua secretária. Foi uma novidade para ele, mas ficou bastante agradado com a solução e assim ficou.
Estivemos cerca de quatro horas à conversa. Falámos de tudo um pouco de coisas e gostos em comum. Falámos muito da cidade de Lagos e a sua envolvência, onde estudei um ano, joguei futebol, vivi muito da minha juventude até à passagem adulta e conhecia. Falámos sobre o estado do país, ainda na ressaca da saída de Durão Barroso para a Comissão Europeia e o Governo de Pedro Santana Lopes. Conversámos sobre filosofia, história, enfim de tudo um pouco. Um falante e ouvinte absolutamente extraordinário, quase hipnótico.
Belmiro tinha o que tinha pelo que era. Não era o que era pelo o que tinha.
Não tenho dúvidas que seria capaz de reerguer o império se tivesse chegado à miséria ou despojado como outros empresários foram pós 25 de abril.
Tive a experiência de privar com um dos homens mais poderosos de Portugal, nessa tarde em que falámos horas parecia que éramos amigos de longa data. Somente os dois, e deixámo-nos levar pelo rumo que a conversa foi tomando.
Ele agradeceu-me não só pela resolução do problema, mas acima de tudo pela conversa e companhia.
Pode parecer estranho, mas nunca mais esqueci aquela tarde, nunca mais esqueci a forma como Belmiro se entregou à curiosidade da minha pessoa e de como nos ouvimos um ao outro. E ouvi com muita atenção valorosos conselhos.


Gratias tibi ago- Muito obrigado

                                                                                     Lisboa, 30 de novembro de 2017
                                                                                                   José M. T. Gomes

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Sorte ou Azar…



«Na antiga China havia um miúdo duma aldeia remota muito pobre que tinha um sonho. O sonho do rapaz era ter um cavalo. Um dia pernoitaram na aldeia, um conjunto de guerrilheiros, entre eles havia um potro que não conseguia acompanhar a marcha. O chefe da guerrilha ao saber do sonho do miúdo foi ter com ele e deu-lhe o potro, realizando o sonho do rapaz e ao mesmo tempo livrando-se dum estorvo.
Um vizinho ao tomar conhecimento do ocorrido foi ter com o pai do garoto e disse-lhe: “O teu filho tem cá uma sorte!”
“Ora essa! Porquê?”, perguntou o pai.
“Ora, o sonho do teu filho era um cavalo, e então não é que lhe ofereceram um potrinho. Isto não é sorte?”
“Pode ser sorte ou pode ser azar!”, comentou o pai.
Certo dia o cavalo foge. O vizinho sabendo da notícia foi ter com o pai do garoto: “O teu filho é de azar”
“Por quê?”, perguntou o pai.
“Então, o teu filho queria um cavalo e ganhou um potrinho. Agora o animal que tanto gostava fugiu. Não é azar?”
“Pode ser sorte ou pode ser azar!”, comentou o pai.
O tempo foi passando até que um dia o cavalo volta à aldeia com uma manada selvagem. O menino, agora um rapaz, consegue cercá-los e fica com todos eles. Observa o vizinho: “o teu filho é mesmo de sorte! Ganha um potrinho, cria, ele foge e agora volta com um bando de cavalos selvagens.”
“Pode ser sorte ou pode ser azar!”, respondeu novamente o pai.
Certo dia, o rapaz estava a treinar um dos cavalos quando caiu e partiu uma perna. Vem novamente o vizinho: “ o teu filho está mesmo enguiçado não há dúvida! O cavalo foge, volta com uma manada selvagem, o rapaz parte uma perna a treinar um deles, puxa!”
“Pode ser sorte ou azar” insiste o pai.
Passados alguns dias o reino onde moravam declara guerra ao reino vizinho. Todos os jovens são convocados para a guerra menos o rapaz que estava com a perna partida. O vizinho, “o teu filho é mesmo afortunado...”»

É um conto chinês muito antigo, mas a vida é mesmo assim, tudo o que nos acontece pode ser sorte ou azar. Depende do nosso ponto de vista e do caminho que trilhamos na vida. O que parece um azar num momento, pode ser sorte noutro, o que agora parece ser um infortúnio pode ser ditoso no futuro, talvez seja por isso que não consigo deixar de ser um indefetível otimista.

                                                                       Sintra, 03 de Junho de 2016
                                                                                  José M. T. Gomes